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O desejo de subir, de alcançar o topo é próprio do ser humano, que se antes o fazia por necessidade e desafio à sua própria existência, agora o faz para testar os seus limites e ver até onde consegue chegar por si e em relação aos outros.

O objectivo geral da escalada é o de conseguir ascender por superfícies quase verticais, em gelo, rocha ou paredes artificiais construídas propositadamente para a prática desportiva.

Não é uma actividade que possa ser considerada dispendiosa, exigindo sim muito esforço, concentração, capacidade de resistência, grande controlo mental, grande conhecimento e controle corporal, bem como uma boa capacidade de visualização imagética para movimentos sequenciais.

Requer apenas uma pequena base de formação teórica prévia, antes de começar a actividade propriamente dita.

As vias de escalada são normalmente curtas, ascendendo no máximo a algumas centenas de metros.

Equipamento

O equipamento básico de um escalador não é muito complexo, sendo até bastante reduzido. É constituído por:

um arnês (ou baudrier), uma espécie de cinto revestido que amarra o corpo do escalador à corda, de modo a que em caso de queda esta seja protegida, evitando lesões ou pressões irregulares no corpo (deve ser escolhido algo justo e nunca folgado);
uns pés de gato, que são nada mais do que uns sapatos firmes e ajustados ao pé, importantíssimos para a aderência (por exemplo, em vias como o granito áspero , são indispensáveis, porque a força de braços é secundária e a aderência dos pés é aí muito importante. Em geral são comprados dois números abaixo do calçado normal.   Isto permite que o sapato -pé de gato- não dobre nas pequenas fendas e se mantenha rijo contra a rocha);
o magnésio, para evitar a humidade das mãos e facilitar a sua aderência às paredes;
um saco de magnésio carregado à cintura, para transportar o magnésio, para poder ser usado durante a subida;
o capacete, uma protecção indispen-sável, que protege a cabeça do escalador, da queda de pequenas pedras ou outros objectos
o mosquetão, que tem função de elo de ligação e não é mais do que uma peça metálica em forma de aro com um troço de abertura em mola a fim de se proceder à fixação e fecho. Um mosquetão de segurança leva um dispositivo roscado que não permite que se abra inadevertidamente.

Relativamente ao equipamento colectivo, este é constituído por:

Cordas dinâmicas, que são elásticas de forma a absorver grande parte da energia, para que no caso de uma queda o corpo não sofra esticões que provoquem lesões na coluna;
Fitas e cordeletes, para estabelecer pontos de segurança à medida que o escalador ascende (assegurando pontos seguros a várias alturas, evitando as quedas graves);
Gri-Gri, Aparelho mecânico criado para dar segurança. O seu funcionamento é semelhante ao dos cintos de segurança dos automóveis;
o "oito", que serve para provocar atrito na corda. O seu funcionamento é idêntico ao do Gri-Gri, mas não é automático;
Express, Fita costurada que une um mosquetão de dedo recto a um de dedo curvo. É vulgarmente utilizada esta expressão para designar todo o conjunto

Todo o equipamento de escalada é regido por normas mundiais ditadas pela União Internacional das Associações Alpinas (U.I.A.A.).

A Comunidade Europeia rege-se por normas próprias, que na área da Montanha são idênticas às da UIAA .

Uma equipa mínima é constituída por duas pessoas: um segurador e um escalador. As vias de ascenção podem estar equipadas ou não. Nas vias equipadas são instalados pontos de segurança (Spits, ParaBolts, Plaquetes) onde se prendem as fitas Express, que funcionam como pontos de segurança para quem escala à frente. Nas vias não equipadas, pratica-se a escalada artificial, que é mais especializada na utilização de dispositivos de segurança.

As vias, estão geralmente classificadas, de modo a dar aos escaladores a informação acerca do grau de dificuldade, dos problemas que se vão apresentar e dos riscos que podem correr. Para isso existem vários sistemas de classificação. Em Portugal e Espanha utiliza-se o sistema Alpino (de I a VII) para os níveis mais baixos até IV. A partir deste nível utiliza-se a escala britânica, que avalia de 1 a 9, contemplando escalões de A a C. Os graus numéricos tem a ver com a dificuldade técnica da escalada em si e as letras tem a ver com a aderência e perigosidade da queda.

Classificação comparativa dos níveis de escalada

Caracteristicas

Reino Unido
Numérico

Americano
Yosemite

Alpino
UIAA

Fácil (Tipo escadaria de pedra)

 

Class 1 ou 2

I

Alguma dificuldade (Escadaria em mau estado)

1a, 1b, 1c

Class 3

II,III-,III

Com dificuldade (sem alguns degraus)

2a, 2b

Class 5.1 ou 5.2

III+

Difícil (Degraus não identificados)

2c, 3a

Class 5.3 ou 5.4

IV,IV+

Severo (É requerida alguma técnica)

3b, 4a

Class 5.5 ou 5.6

V-,V

Muito severo (Exige técnica )

4b, 4c

Class 5.7 ou 5.8

V+,VI-

Duramente severo

5a, 5b

Class 5.9 ou 5.10a ou 5.10b

VI

Extremamente severo (Desportistas)

5c, 6a, 6b, 6c

Class 5.10c ou 5.11

VII.VIII

Extremamente duro (Desportistas)

7a, 7b, 7c

Class 5.12a até 5.12c

IX

Incrivelmente difícil e duro (Escaladores especializados)

8a, 8b, 8c

 

 

Incrível haver quem a faça !Talvez haja três no mundo!!

9a

 

 

Há outros sistemas, como o numérico australiano ou o Americano NCCS. Em Portugal, Espanha e alguns outros países usa-se a escala UIAA nos níveis mais baixos até ao nível IV. A partir deste nível utiliza-se a escala Britânica, ou seja: do 5a até ao 9a. A opinião dos escaladores acerca do nível duma via é normalmente consensual e as divergências são apenas entre os escalões a, b e c . Os graus numéricos têm em consideração a dificuldade técnica e são baseados nos movimentos difíceis (passos) a fazer. Os níveis têm também a ver com a aderência e o nível de perigosidade da queda.

Tipos de escalada

Escalada desportiva

É praticada em pequenas falésias que variam entre vinte e sessenta metros de altura sob condições controladas de segurança. Nesta modalidade, a preocupação do escalador recai apenas no seu desempenho, pois as vias são curtas, de fácil acesso, e tem boa ancoragem para o segurador, entre outras qualidades. Com estas características, os movimentos do escalador podem ficar mais difíceis, exigindo alto grau de precisão, o que torna o desafio mais interessante.

Escalada desportiva indoor

Trata-se da simulação de uma escalada em rocha, com a diferença de que aqui o escalador sobe paredes preparadas com agarras, simulando pedaços de pedra. Estas paredes podem ser desde muros de tijolos, com as agarras artificiais fixadas com buchas e parafusos, até estruturas de madeira compensada, montadas de forma a simular situações encontradas nas rochas naturais, como desníveis, inclinação negativa (mais que 90 graus), tectos, obstáculos, etc. Como as condições são controladas, esta modalidade desportiva oferece riscos menores e maior facilidade na prática, pois as paredes artificiais são já disponibilizadas por várias empresas, pagando uma diária e se não possuir material, alugando-o.

As dificuldades nos movimentos são semelhantes às encontradas em rochas naturais, pois procuram-se criar vias com diferentes níveis de complexidade, exigindo diferentes níveis de técnica e esforço físico. Serviam inicialmente apenas como paredes de treino, mas actualmente existe já um grande número de pessoas que apenas se exercitam nas paredes artificiais e que nunca vão para as montanhas.

Escalada artificial

É a escalada pura e é semelhante a escalar à frente. Só que aqui, é mesmo à frente!   
Durante a subida o escalador vai colocando os seus pontos de segurança na rocha com dispositivos especiais, por onde faz correr a corda que o segurará. O escalador, além de se apoiar na rocha, utiliza também artifícios de suspensão e subida que não deixa para trás, como por exemplo, grampos, nuts, excentrics, estribos, prussik, cordas fixas, etc.. As quedas na escalada artificial são muito perigosas, porque os pontos de ancoragem são sempre resultado de uma solução de risco.
A utilização de meios não naturais para alcançar o cume justifica-se apenas para aumentar as possibilidades do escalador e não para facilitar a conquista de lances que poderiam ser executados sem a ajuda destes equipamentos.

Escalada em Big Wall

A sua duração pode chegar a vários dias, exigindo que o grupo tenha que dormir ancorado nas paredes, utilizando tendas especiais para o efeito. É uma modalidade que exige grande técnica de escalada livre e artificial, para além de grande quantidade de equipamento, comida, água, tendas, sacos cama, primeiros socorros, etc. É um desporto para montanhistas experientes. A região mais procurada para esta técnica é o vale Yosemite, nos Estados Unidos.

Escalada Alpina

Uma escalada é classificada nesta modalidade quando o grupo encontra paredes de difícil acesso, em regiões de neve e gelo, com clima inóspito e terreno perigoso (gretas). São utilizadas técnicas de big wall e escalada em gelo e neve. Pela sua complexidade, é necessário todo um planeamento prévio, levando em consideração vários aspectos, nomeadamente as condições meteorológicas e logísticas, pois diversos acampamentos terão ser montados e desmontados ao longo da ascensão.

 

 

Escalada em Top rope

Suspende-se o meio da corda no topo de um penedo através das sangles. Numa ponta encorda-se o escalador e, na outra, o segurador coloca a corda no dispositivo de segurança (Oito ou Grigri).
A escalada faz-se como que em suspensão. Se o segurador puxar com a corda com força, até pode içar o escalador. Não há quedas de impacto existindo apenas um deslizamento.
O Top rope é utilizado para aprendizagem ou para o estudo de uma via.

Escalar à frente

Numa ponta da corda encorda-se o escalador e, a uns três metros, no corpo da corda, o segurador coloca o dispositivo de segurança.
O escalador inicia a escalada enquanto que o segurador vai dando corda. Assim que o escalador chega a um ponto de amarração (ancoragem) na rocha, coloca uma express e passa a corda pelo outro mosquetão da express. Parece complicado, mas aprende-se vendo e fazendo.
Neste tipo de escalada existe a possibilidade de queda quando o escalador está entre dois pontos de segurança e falha um passo! Só o ponto de segurança anterior o sustém da queda.

Escalada em Boulder

Nesta escalada não é necessária a corda. São vias baixas que exigem passos de extrema força e agilidade.
Praticam-se não em altura, mas em comprimento "travessias". Pode ser efectuada em rocha ou em rocódromos.

História

Ao longo dos anos e de modo a ultrapassar os vários tipos de obstáculos diferentes, a escalada foi desenvolvendo as mais variadas técnicas e estilos. Antes de praticar, devem ter-se algumas noções teóricas, num pequeno curso de iniciação acerca das técnicas mais elementares a utilizar, privilegiando sempre a vertente da segurança.

Nas últimas décadas a escalada desportiva tem evoluído consideravelmente, sendo que a grande difusão desta actividade se encontra muito relacionada com o aparecimento das paredes artificiais, que promoveram o primeiro contacto com este desporto a um maior número de pessoas, permitindo que estas depois se iniciem com mais facilidade.

O surgimento das paredes artificiais, surgiu na Europa, com o objectivo de substituir a escalada em rocha nos períodos do ano com condições climatéricas adversas. Mas imediatamente se percebeu que era também uma excelente forma de treino muscular e de técnica, pelo que proliferou rapidamente por todo o mundo. Com esta proliferação também a vertente competitiva da escalada mudou, ganhando uma nova dimensão.

   
   
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